12.7.06

balanço


eu espero porque você prometeu. as pernas já crescidas, debaixo da saia, fazem meus pés encostarem no chão, mas eu espero. eu fico aqui. cavando a terra, sem querer, com os sapatos. enchendo de pó as meias. despenteando os cabelos, no ir e vir. cortando os lábios com o vento frio. teimosa. eu fico aqui porque você prometeu. espero porque acreditei quando disse que não seria a última vez. eu permaneço aqui, no mesmo lugar, apertando seu presente entre os dedos. flor seca em uma das mãos. eu espero como pêndulo contando o tempo. vem. não vem. vem. espero, no mesmo balanço, porque ainda acredito que você pode voltar.

7.7.06

excesso


a vida no limite. na borda da xícara. pronta para transbordar a qualquer instante. com qualquer mexida. a vida escorrida. descida pelos pés da mesa. esparramada. sumida entre os tacos do chão da sala. morro, agora, pelo excesso. por você demais. morro por não suportar nem mais uma gota. nenhuma. o que já matou a minha sede, hoje, me transborda.