13.2.09

sobre o livro

encontros e desencontros

“- i have to be leaving
but I won’t let that come between us, ok?”
- ok!”

é engraçado quantos destinos podem ser traçados a partir de uma única pessoa. imagine, então, seis pessoas entrelaçadas de alguma forma, entre amor e amizade. se colocarmos um sinal de exclamação perseguindo cada uma, quando multiplicado, onde iríamos chegar? alguém sabe o resultado de 6!? talvez eduardo baszczyn, autor de
desamores, publicado pela 7letras e um dos finalistas do 1º prêmio são paulo de literatura, na categoria melhor livro de 2008 (autor estreante) saiba bem o resultado. desamores não levou a bolada de 200 mil do prêmio, porém, mesmo sem os louros, o livro é cheio de méritos. é uma obra tão delicadamente acabada e sensível que, no meio dos encontros e desencontros de cada personagem, todos unidos num núcleo, não há como não nos encontrar entre os diálogos permeados por farpas, nas situações que parecem xerocadas de nossas vidas, na forma como as coisas acontecem, enfim, nos relacionamentos daqui ou lá do outro lado do globo. o livro conta a história da relação de ana e caio lá pelos seus trinta e poucos e uns quase dez anos de casados. bárbara é a amiga que todos temos, ou teremos: um casamento arruinado e não esquecido que leva à psicoses, deprime e afeta os que estão ao redor. bruno e júlia são outro casal, amigos de caio e ana, que podem estar à espera de um unhappy end. adriano existe para curar dores e procurar outras. e está pronta a trama, contada em flash-back, acompanhada por uma garrafa de vinho e as luzes de são paulo, que maquiam e escondem as dores de cada um entre quatro paredes, por toda cidade, dentro de cada apartamento. desamores é um livro gostoso de ler muito por conta das adversidades que existem dentro desses relacionamentos e das associações que inevitavelmente fazemos. é difícil não rememorar nossos próprios passos, não tentar identificar semelhanças entre a “ana do começo” e nosso eu, não querer entender onde erramos e levar a cabo as soluções apontadas por caio. difícil não se pôr em xeque como bruno e arquitetar planos mirabolantes feitos por júlia. o mais complicado é, em muitos momentos, ser um cafajeste feito adriano e triste como o livro de eduardo. mas, uma tristeza boa, daquelas que constroem e só existem pelo acaso, pelas palavras não ditas a cada dia, pelos cafés que não servimos, por um pouquinho de egoísmo diário para com o outro e, no final das contas, porque não pensamos muito no futuro. os desamores de cada um movem uma trama que, não tão recheada de surpresas – fica tudo muito fácil de entender e prever porque enfim – leva o leitor ao prazer de folhear o livro no final da leitura. voltar a fatos. tentar entender como e porquê tudo se passou daquela forma e naquele momento não encontrarmos saídas para um final, como nós mesmos fazemos após um fim de expectativas, após um amor jogado por algum lugar. são amores que foram e só existem da forma como existem ainda dentro de nós porque filmes, músicas - como as que o autor joga pelo livro - e livros como o de eduardo afirmam essa relação que temos com a perda, com as possibilidades, com a dúvida e por que não com o coração. desamores está aí para afirmar toda uma cultura, e para fazer dela um jogo mais e mais delicioso e apaixonado.


[uma crítica, publicada recentemente, por haroldo lima, em um jornal de vitória, es]

9 Comments:

At 1:48 AM, Blogger André Luiz said...

faço das palavras dele, as minhas (e as de muitos).

 
At 12:11 AM, Blogger Silvia Caroline said...

Concordo plenamente também. O livro é lindo!

 
At 9:18 AM, Anonymous Rodrigo said...

Edu,

Fui um dos primeiros a comprar o seu "Desamores" aqui no Rio, lembra? A livraria ainda estava recebendo naquela semana. É um dos meus livros preferidos. História com ritmo de filme, personagens e situações mais que reais e sensibilidade - sua marca principal.

CADÊ O PRÓXIMO?!

Grande abraço,
Rodrigo Telez

 
At 12:04 PM, Blogger pati souza said...

Olá
O crítico tem razão. Ao fim da leitura folheamos o livro, voltamos páginas, vamos atrás dos pequenos textos espalhados "marotamente" no meio da trama, como que pinçados do Coisas da Gaveta.Voltamos para recordar "como é mesmo aquela música? Aquele trecho? Puxa, quanto tempo faz e com quem ouvi aquilo pela 1* vez?"
Recebi meu exemplar via correio com uma dedicatória atenciosamente simples, com imagino que seja Eduardo. Exemplar que veio substituir o Desamores que eu havia comprado na livraria e me foi levado da estante por um amigo estrangeiro que aprendia português na época. Ele gostou da capa, gostou também do que leu no 1* parágrafo, a referência ao gotejar da água, daquele autor brasileiro com sobrenome estrangeiro. Quem sabe por onde anda agora o meu ex-livro?

Um abraço.

 
At 4:51 PM, Blogger Bel Lucyk said...

Eduardo, estou terminando de ler o livro. Já fiz propaganda para vários amigos, que também viraram fãs do seu blog.
Já estou quase no final do livro, naquela fase em que eu começo a sofrer porque o livro está terminando e vou lendo aos poucos pra durar mais tempo. =)
Mais uma vez, parabéns pelo livro.

 
At 12:25 PM, Anonymous Beatriz Cunha said...

Saí para almoçar e acabei de comprar esse seu "Desamores" na Cultura da Paulista. O começo é lindo e não vejo a hora de chegar em casa para ler quietinha.

Bjs
Beatriz

 
At 10:00 PM, Blogger Sedokao Morutaru said...

- ok!
Vou ler. (O LIVRO)

 
At 12:19 AM, Blogger mirianne said...

:-)
quero muito ler!

 
At 7:04 PM, Anonymous Anônimo said...

Oi Eduardo,

Procurei seu livro hoje em duas livrarias (saraiva e fnac) de Brasília, mas não tinha :(
Mas não vou desistir, estou com muita vontade de ler, vou tentar a cultura assim que possível.
Manda colocar mais livros nessas livrarias que pelo visto tá vendendo tudo :)

grande abraço,

Paula
http://twitter.com/qpaula_qd

 

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